O diretor internacional da Associação Brasileira de Factoring (ABFAC), Alexandre Gameiro, fala sobre sua nomeação e o que pretende fazer para apoiar no desenvolvimento da ABFAC. Confira a seguir a primeira parte da entrevista concedida por e-mail para a Revista do Factoring (RF).
RF: Qual sua experiência no segmento de factoring dentro e fora do Brasil?
Gameiro: A minha experiência direta em factoring vem de duas fontes. Primeiro, faz dois anos que sou sócio de uma factoring no Brasil. Sou bastante envolvido na sua gestão. Respondo pela área financeira e participo ativamente no planejamento, na definição da política de crédito e de limites a clientes, entre outros aspectos importantes do negócio. A segunda fonte vem do meu trabalho como consultor de reestruturação de empresas, onde operei sob a ótica do cedente. Tive a oportunidade de comparar diversas factorings e compreender os fatores que o cliente valoriza mais. Pude também conhecer as ações de um cedente que podem impactar a capacidade da factoring receber os títulos adquiridos.
Uma parte significativa da minha experiência, no entanto, é indireta. Sou um profissional da área financeira e tenho muita experiência com gestão de crédito e risco, que é o eixo principal do negócio. Independente do ramo de atividade, região geográfica e tamanho da empresa, o conceito de crédito e as suas ferramentas são as mesmas.
Nos Estados Unidos, estou iniciando a operação de uma factoring, a Silicon Capital (www.siliconcap.com). Esta primeira fase é apenas um teste para dimensionar o potencial de rentabilidade e nível de competição do mercado. Me associei a uma factoring grande que está disponibilizando recursos e a sua equipe de crédito para dar suporte às minhas operações. Em alguns meses estarei revendo o projeto e decidindo se vale a pena continuar. Se valer, vou então partir para levantar recursos diretamente e iniciar uma equipe própria de analise de crédito. Aqui a briga é grande. As factorings consideradas pequenas possuem carteiras de US$ 3 milhões. Aqui eu também participo regularmente de eventos de factoring e tenho vários contatos no setor, incluindo empresários e diretores de associações.
RF: Você é o primeiro diretor da ABFAC fora do Brasil. O que você pensa disso e como foi aceitar essa nomeação?
Gameiro: Há duas razões pelas quais foi um prazer aceitar a nomeação para diretor internacional da ABFAC. A primeira é que a área internacional é totalmente nova e oferece muitas oportunidades de contribuição a associação e ao setor. Acredito que o intercâmbio de conhecimento com outros países ajudará no aprimoramento da gestão das factorings brasileiras. Existem práticas hoje que não conhecemos e que provavelmente podemos adaptar e utilizar no Brasil. Descobrir e disseminar estas práticas e divulgar a ABFAC no exterior será sem dúvida um trabalho desafiador e realizador.
A segunda é que eu me identifico muito com a filosofia da ABFAC. Ela é uma associação visionaria e moderna. Através dos artigos e discussões na Revista do Factoring, pode-se observar claramente que os associados da ABFAC apóiam um factoring moderno, muito mais próximo do praticado hoje nos EUA do que no descrito na Convenção de Ottawa de 1988 (pois é, o ano passado ela completou 20 anos...). Fundada há apenas 3 anos, a ABFAC já exerce uma liderança grande no setor, um reflexo do perfil da presidência e da direção. Eu espero poder estar contribuindo juntamente a esse grupo no desenvolvimento da associação.
Por: Revista do Factoring
08.06.2012 00h00
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