
Não é todo dia que uma boa oportunidade bate à porta. Depois de registrar um crescimento de 27% em plena crise, Claudio Linhares, diretor da empresa Helcla Cosméticos, percebeu que tinha tudo para faturar ainda mais em 2009. “Afinal, além do bom momento da economia brasileira, o público-alvo da empresa é a classe C (que está em franca ascensão) e nosso produto teve boa aceitação em um mercado que apresenta grande potencial (o Nordeste, novo foco da expansão do negócio).”
Diante de um cenário tão positivo, parecia ser questão de tempo para que as vendas da empresa aumentassem. Mas faltava apenas um detalhe: dinheiro para financiar o crescimento da Helcla, conseguido há pouco tempo com a tomada de um empréstimo para investir em novos equipamentos.
Em outra época, a ausência de crédito para custear os investimentos poderia enterrar o sonho do progresso da empresa e condená-la à estagnação. Mas os tempos são outros. Hoje, o volume de empréstimos concedidos no País já representa quase 45% do PIB.
Só para as empresas, o volume de recursos é de R$ 958 bilhões, e a previsão do Banco Central é de que até o fim de 2010 o montante cresça 14%, chegando a quase R$1,1 trilhão - nada menos que R$134,bilhões a mais à disposição dos negócios brasileiros.
Micros na vanguarda
E quem deve responder por grande parte do avanço na concessão de crédito à pessoa jurídica são justamente as pequenas empresas. “A projeção é de 25% de crescimento no crédito para este público”, informa Nilton Pelegrino, diretor do departamento de empréstimos do Bradesco.
No Santander, a meta é a mesma. “As pequenas empresas são grande foco de interesse por representarem um grupo com grande potencial de crescimento e baixo porcentual de endividamento”, resume Claudio Yutaka, superintendente do segmento de pequenas empresas do Santander.
Ou seja, dinheiro não vai faltar. E os bancos também têm trabalhado para desburocratizar a concessão de empréstimos. “Mas quem pretende recorrer ao dinheiro de terceiros para financiar a expansão da empresa deve fazer isso rapidamente”, alerta Danny Claro, coordenador do centro de pesquisas e estudos do Insper.
Em primeiro lugar, a urgência se justifica por uma regra básica no mundo dos negócios: se tem gente querendo comprar, alguém também vai querer vender. Portanto, a agilidade é fundamental para vencer a concorrência. “Além disso, o comunicado que o Comitê de Política Monetária (Copom) divulgou após a reunião realizada este mês dava claro sinais de que os juros vão subir em breve. Por isso, convém tomar o empréstimo antes que isso ocorra”, avisa Claro.
Porém, antes de pedir o crédito, o empresário deve planejar, em detalhes, a expansão. Terá de medir não apenas quais são os recursos necessários para promover o crescimento do negócio como também calcular os custos do pagamento do empréstimo. “Somente ao prever as variáveis e os riscos do projeto é que será possível avaliar qual crédito é mais adequado a cada fase da expansão”, diz Luiz Ricardo Grecco, consultor do Sebrae.
Fonte: CAROLINA DALL’OLIO, Jornal da Tarde.
Por: Revista do Factoring
08.04.2010 00h00
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