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HÁ DOIS ANOS: Planejamento Financeiro (publicado em 06.10.2009)

Por que hoje no mundo existem empresas que sobreviveram mais de 100 anos, enquanto mais de 25% das empresas Brasileiras não ultrapassam o primeiro ano de vida? Isso se deve em grande parte à capacidade de planejamento.

Só sobrevive no longo prazo as empresas que são rentáveis. Mesmo as multinacionais, que compram empresas por razões estratégicas e tem bolsos cheios para sustentar prejuízos de subsidiárias por vários anos, acabam fechando operações não rentáveis.

Na minha opinião, o planejamento mais importante para a empresa é o planejamento financeiro. A empresa pode ter a melhor força de vendas, um produto altamente diferenciado, excepcional capacidade de marketing e uma brilhante estratégia, mas se no curto prazo não houver dinheiro no caixa para pagar as contas, "o bixo vai pegar".

 

Para uma factoring, o planejamento financeiro é crucial. Além dele guiar a empresa à rentabilidade, ele permite que a factoring separe o caixa operacional (dinheiro para as despesas recorrentes) do seu estoque (dinheiro para empréstimo). A falta de planejamento e controle financeiro pode fazer com que a direção da factoring não se dê conta que opera em prejuízo. Por que? Porque o caixa operacional e o estoque se misturam nas mesmas contas e o dinheiro aparentemente nunca falta. O estoque vai se corroendo pouco a pouco e o patrimônio líquido diminuindo.

 

Existem basicamente três tipos de planejamento financeiro:

 

a) Estratégico: Abrange os próximos cinco anos e é feito a nível macro. Á partir de hipóteses de receitas e custos, projeta-se o Demonstrativo de Resultado do Exercício para cada um dos cinco anos. Em seguida, projeta-se o Balanço Patrimonial e o Demonstrativo de Fluxo de Caixa.

 

b) Anual: É plano para o ano seguinte detalhado cada um dos meses. Cria-se hipóteses mensais (que levam em conta por exemplo a sazonalidade das receitas) e projeta-se os demonstrativos financeiros (os três mencionados acima).

 

c) Mensal: É o mais granular de todos. As projeções tendem a ser mais acuradas pois o faturamento e os custos podem ser projetados com maior precisão. O Fluxo de caixa é projetado para cada um dos dias.

 

Para implementar um processo de planejamento financeiro na sua factoring, você precisa primeiro entender o seu ciclo. É importante notar que processo é interativo: ele é o resultado da convergência entre as metas determinadas pela diretoria e as projeções que os gerentes acreditam factíveis. De forma geral, o processo é o mesmo indepentemente do tipo de plano (estratégico, anual ou mensal).

Os passos para a implementação são os seguintes (variam de acordo com a estrutura organizacional de cada empresa):

 

Etapa 1: Projeções Iniciais

Os gerentes desenvolvem as projeções sobre a sua área de responsabilidade

a) Gerência de Negócios (Relacionamento com clientes): Estima o número de clientes atuais e novos, o volume de operações de cada um, o fator total médio, etc.

b) Gerência Administrativa/Financeira: Estima os custos operacionais totais, como por exemplo salários, aluguéis, despesas com software, impostos, etc.

c) Gerência de Cobrança: Estima o prazo médio de recebimento da carteira, o valor de atrasos como percentual das vendas, o volume de atrasados por categoria (de 0 a 30 dias, de 30 a 60, etc).

d) etc.

 

Etapa 2: Consolidação

a) A área administrativa/financeira recebe as projeçõs de cada área e cria o Demonstrativo de Resultados do Exercício (D.R.E).

b) Com base no D.R.E. e hipóteses das diferentes áreas, a Gerência Administriva/Financeira projeta as contas do Balanço Patrimonial. Por exemplo, com base na hipótese no prazo médio de recebimento da carteira e com a precisão de volume, projeta-se o valor total do contas á receber. Por último, projeta-se a necessidade de capital (se há necessidade de captar mais recursos ou se haverá sobra de caixa).

c) Por último, a gerência cria o fluxo de caixa: projeta-se recebimentos as entradas de caixa com base no valor dos títulos a vencer e na expectativa de inadimplência; projeta-se as saídas de caixa com base no valor da maioria da despesas recorrentes, incluindo despesas com juros (financiamento bancário ou investidores); Finalmente, projeta-se o fluxo de caixa.

Etapa 3: Revisão Inicial

Nesta etapa, a diretoria se reúne com os gerentes para discutir os resultados projetados (as empresas mais "abertas" até discutem abertamente a situação total da empresa). As hipóteses são revisadas e ajustadas.

 

Etapa 4: Ajuste de Projeções

Cada gerente ajusta suas estimativas e envia novamente suas projeções para a área administrativa/financeira.

 

Etapa 5: Consolidação Ajustada

A área administrativa/financeira atualiza as projeções do D.R.E, Balanço Patrimonial e Fluxo de Caixa.

Etapa 6: Revisão Final

A diretoria e os gerentes revisam as projeções ajustadas. Se a diretoria aprovar as revisões, as projeções tornam-se metas e cada gerente será responsável pela execução e atingimento do plano. Caso a diretoria não aprove a revisão, faz-se mais iterações até que chegue-se a uma projeção satisfatória.

O processo financeiro parece complicado na primeira vez que ele é implementado. Na segunda vez, no entanto, a pedra já começa a tomar forma. Quanto mais ele é pratico dentro da empresa, mais sólido e claro ele ficará. Vale lembrar que mesmo multinacionais centenárias continuam aperfeiçando o seu processo a cada ano. Ele é trabalhoso e requer um grande investimento de tempo. Entretando, quem não planeja não sabe onde quer chegar e como chegará lá. E como resultado, ou não vai muito longe ou não chega a lugar nenhum.

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