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HÁ DOIS ANOS: Quebra da Maior Factoring do Mundo (publicado em 12.11.2009)

    No domingo, dia 01 de Novembro, foi requerida a falência da CIT. Uma quebra bilionária e que foi uma das maiores da história. Na imprensa estava estampado que a CIT era um banco. E isso é verdade, mas a CIT só virou um banco no ano passado depois de receber uma ajuda do governo americano de 2.3 bilhões de dólares. Antes disso, a CIT sempre foi uma empresa de "serviços financeiros" e para alguns a maior factoring do mundo.

Ela só não pode ser considerada uma factoring pura, porque existiam diversas outras linhas de crédito em sua carteira, como créditos a estudantes, imobiliário e asset-based lending (empréstimos baseados em ativos). Mas dos 78 bilhões de ativos, quase 8 bilhões eram de factoring.

Diferentemente do Brasil, a legislação americana não dá exclusividade de emprestar dinheiro às instituições financeiras. As empresas que emprestam apenas não podem captar dinheiro junto ao público. E aí está o problema da CIT. Não podendo captar, a CIT tinha que tomar empréstimos de curtíssimo prazo para financiar muitas vezes operações de mais longo prazo. Quando a liquidez do mercado secou, ela se viu em problemas. Somando-se a isso, sua carteira teve uma altíssima inadimplência.

Interessante notar que a parte de factoring da carteira da CIT nunca foi deficitária, mesmo com tantos problemas de inadimplência. Foi a única parte da carteira que continuou relativamente saudável. E essa é uma das lições que se tira dessa história.

Também como lição fica, apesar dessa quebra, a forma que as factorings americanas conseguiram sobreviver em um mercado com baixos spreads. A alavancagem foi a saída.  Uma alavancagem baixa e com funding um pouco mais longo permitem obter uma melhor rentabilidade com um risco moderado. É muito mais recomendável operar para clientes com taxas menores com um certa alavancagem do que tentar operar clientes com taxas de 4%/5% no cenário brasileiro atual.

Outro ponto a se destacar são as operações de asset-based lending que a CIT fazia e que é muito comum nas factorings americanas Aqui, por conta da legislação, não podemos fazer. Mas seria muito interessante se as empresas de factoring pudessem emprestar com base em um ativo da empresa, seja um imóvel, maquinário ou mesmo o estoque. No Brasil tem-se a cultura de se comprar imóvel à vista ou com muito pouca dívida e, por isso, temos um volume enorme de bens que poderiam ser dados como garantia pelas empresas para investimentos e capital de giro.

Com a quebra da "maior factoring do mundo", as outras factoring americanas começaram a se mexer. De um dia para o outro são 8 bilhões em clientes potenciais disponíveis no mercado. O problema é que as factorings americanas, em menor ou maior grau, também estão com problemas de funding ou inadimplência. 

 

Bruno Assumpção

Tel- 31-3448-3000

e-mail. bruno@bmafactor.com

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