
Quando a crise econômica mundial eclodiu em 2008 e o crédito no mercado interno brasileiro ficou escasso, o setor de factoring passou a ser encarado como uma alternativa de crédito principalmente para empresas de menor porte. Mas, será que os empresários de fomento mercantil concordam em ser apenas uma alternativa para seus clientes?
"Concordo sim que o factoring é uma alternativa importante ao crédito bancário. E segundo a história econômica, países com sistemas bancários fracos tendem a ter alternativas que rivalizam em importância com o canais tradicionais de crédito. Mas, não queremos ser a (última) alternativa aos bancos, mas sim um complemento a eles." A opinião é do empresário de factoring e diretor regional da Associação Brasileira de Factoring (ABFAC), Bruno Assumpção. Ser apenas a última alternativa incomoda, pois essa idéia parece atrelar o factoring ao estigma de fracasso dos empresários que só procuram a factoring quando estão à beira da falência. Isso não é bom para o setor e nem para os clientes que normalmente operam com as empresas de fomento mercantil.
Na contra-mão dessa idéia de que o factoring é uma alternativa de crédito está a opinião do empresário Mauro Gold. Para ele, o factoring não é uma alternativa de crédito para o cedente. "Eu percebo o factoring como uma parceria onde o cedente faz uma venda à vista, sem ter de fazer empréstimos, e nós, factorings, financiamos o comprador desta mercadoria." Essa parceria apresentada por Gold reflete a função social do setor de factoring. Segundo o empresário e diretor regional da ABFAC José Carlos Dias Guilherme, "o factoring, [modalidades de] prestação de serviços e/ou compra de direitos creditórios, é um importante instrumento para circulação da riqueza e fonte de capital de giro às micro e pequenas empresas brasileiras."
Além do fato de ter essa função junto à sociedade, o factoring é um negócio que envolve a operacionalização de um ativo, cuja análise pela factoring se detém na conjuntura da empresa, o que não ocorre na análise bancária. "A factoring faz, além da análise de fatos passados, analisa o fato corrente das estratégias da empresa, mais próprias do ambiente de pequenas e médias empresas, que por vezes não têm acesso a recursos que envolvam fluxo futuro de recursos como os do BNDES, por exemplo", afirma Carlos Kajioka, diretor de factoring.
Com base na fala desses empresários e profissionais do segmento, é possível perceber que o setor não é, e nem se considera, apenas uma alternativa de crédito, embora essa imagem possa ajudar a impulsionar os negócios em momentos de crise.
Matéria publicada em 23 de junho de 2009.
Por: Revista do Factoring
10.02.2012 00h00
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