Renda fixa foi porto seguro em semestre de incertezas na bolsa
Públicado 30/06/2014 às 7h 00

Renda fixa foi porto seguro em semestre de incertezas na bolsa

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Com a atividade econômica fraca e a inflação forte, o rendimento das aplicações financeiras, de forma geral, começou este ano desaquecido. Conforme os meses avançaram, o investidor teve um respiro na renda fixa por causa do aumento e, depois, manutenção da taxa básica de juros (Selic). A bolsa, por sua vez, recuperou as perdas do início do ano puxada também pelo efeito das pesquisas eleitorais. O cenário político ainda trará incertezas para o desempenho das aplicações no semestre que se inicia amanhã. A palavra de ordem para o investidor menos afeito ao risco ainda será cautela.

Na primeira metade deste ano, a renda fixa ganhou músculo conforme a taxa básica subia gradualmente até permanecer em 11% desde abril. Isso ajudou a estabilizar os preços de ativos dessa categoria e, assim, atenuar as perdas causadas pela marcação a mercado (atualização diária dos preços dos ativos na carteira). Assim, a expectativa é que a renda fixa entregue bons ganhos no fechamento deste semestre, confirmando sua fama de porto seguro para o investidor de perfil mais conservador.

A expectativa do mercado é que a Selic não dê saltos neste ano, mas ainda assim esse sentimento pode mudar de acordo com o resultado das urnas. Além disso, a inflação elevada também deve continuar sendo obstáculo para o investidor obter ganho real. “Será preciso fazer as contas sempre observando o rendimento líquido, que é aquele livre de impostos, taxa de administração e da inflação. Este será o desafio do segundo semestre”, afirma Mauro Calil, educador financeiro. A inflação oficial medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está em 6,37% no acumulado de 12 meses até maio. De janeiro a maio, o índice está em 3,33%.

Fundos: no curto e médio prazos

“Foi um semestre bom para a renda fixa e principalmente para os fundos da categoria índices (que acompanham títulos públicos indexados à inflação). Para os fundos DI e de renda fixa com crédito privado, o semestre também foi de oportunidades”, afirma Carlos Massaru Takahashi, diretor-presidente da BB DTVM (Banco do Brasil Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários) e vice-presidente da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais). Até maio, o fundo de renda fixa Índices foi o que ofereceu o maior retorno no ano na comparação com seus pares. A rentabilidade bruta foi de, em média, 7,02%. O diretor-presidente da BB DTVM diz que se a taxa de juro permanecer no atual patamar nas próximas reuniões do Copom programadas para este ano, o segundo semestre continuará sendo bom para os fundos de renda fixa. “Não acreditamos em uma elevação do juro agora e a perspectiva de redução parece mais remota. A inflação deve começar a convergir em direção a 5% ao ano em 2016 e isso pode se traduzir em uma taxa de juro menor e oportunidades de ganhos com os cupons de títulos públicos indexados à inflação”, explica. Com base neste cenário, Takahashi diz que há oportunidades de ganhos no horizonte de médio prazo para os fundos de renda fixa que acompanham a inflação. “No curto prazo continua sendo uma boa escolha, pois os juros estão remunerando bem”.

Mauro Mattes, gerente de operações estruturadas da Concórdia Corretora, lembra que as taxas dos títulos públicos indexados à inflação estão acomodadas na faixa de 6% a 7%, dependendo do prazo. No entanto, isso pode mudar por causa das expectativas em relação ao próximo governo para a economia. “Não descartamos novas oscilações de preços e taxas, principalmente nos títulos mais longos (papéis que vencem em 2030 e 2050). O mercado está incerto neste segundo semestre. Por isso, recomendamos os fundos DI para o investidor que quer preservar a liquidez”, afirma Mattes. Até maio, os fundos DI tiveram rendimento bruto de 4,19% no ano e os de renda fixa, de 4,86% em igual período.

Menor volatilidade e liquidez

Outra opção que prevaleceu na renda fixa foi o investimento em crédito privado, por meio de títulos como as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs). Esses títulos, que têm lastros em créditos concedidos pelos bancos, são emitidos pelas instituições financeiras e distribuídos por elas e pelas corretoras. O investidor recebe um determinado percentual do CDI (Certificado de Depósito Interbancário), que é definido junto ao emissor de acordo com a quantia investida e o prazo do investimento, que geralmente não é menor do que 60 dias e nem maior que dois anos.

Com baixa liquidez e baixa volatilidade, estes títulos foram uma opção de retorno no semestre, já que são isentos de Imposto de Renda (IR) e assegurados pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) em até R$ 250 mil por CPF.

“Dependendo da estratégia, o banco pode pagar 88% do CDI, que é o equivalente a outro tipo de aplicação que oferece de 100% do CDI com incidência de IR e taxas”, explica Carlos Ratto, diretor-executivo comercial e de produtos da Unidade de Títulos de Valores Mobiliários da Cetip.

A Cetip é quem registra a operação de LCIs e LCAs, garantindo assim que o investidor comprove a sua posse caso o banco emissor quebre e ele tenha de recorrer ao FGC. De acordo com Ratto, de maio do ano passado até o mesmo mês deste ano, o crescimento do estoque de LCIs cresceu 61%, saindo de R$ 63 bilhões para R$ 117 bilhões, o que mostra que caiu no gosto do investidor.

Para Mattes, da Concórdia Corretora, esses títulos foram indicados para o investidor com prazo maior de investimento e que não quer correr o risco de mercado. “Mas para isso ele deve escolher uma instituição que faça uma boa seleção, avaliação e monitoramento de crédito do título. Vai continuar sendo uma excelente opção de diversificação da carteira”, diz. Na corretora, o produto é oferecido para a alta renda e clientes do segmento private e o tíquete médio de entrada, segundo ele é de R$ 150 mil. “Como o estoque cresceu muito, notamos que há uma escassez da oferta de títulos pelos bancos. Estamos em uma entressafra, com os bancos mais cautelosos na originação de crédito”, afirma o gerente da Concórdia.

Fonte: Diário do Comércio.

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