O que é pecado, imoral e ilegal?

Anjos, santos, corretos, éticos, honestos... e muita penitência.

Roberto Carlos já dizia:
“Vivo condenado a fazer o que não quero
Então bem comportado às vezes eu me desespero
Se faço alguma coisa sempre alguém vem me dizer
Que isso ou aquilo não se deve fazer...

...Será que tudo o que eu gosto
 É imoral, é ilegal ou engorda...”

O que é errado ou proibido é mesmo “mais gostoso”? Será que é por isso que os obesos encontram tanta dificuldade em perder peso?

Afinal;
O que é pecado?
O que é crime?
O que é bom senso?
O que é certo ou errado?
 
Somos doutrinados nas disciplinas, políticas e regras que começam no jardim da infância. Quero dizer, começam de fato no berçário: Quem não chora não mama.

Em casa, ainda crianças recebemos as primeiras instruções de etiqueta:
Desde simplesmente não comer de boca aberta, até trocar os talheres ao cortar alimentos e não apoiar os cotovelos na mesa.
Eu nunca troquei os talheres de mãos. Será que cometi um crime contra as regras de etiqueta?

Não sejamos tão radicais.
Mas quanto às normas de trânsito, é difícil atender consistentemente todos os 20 capítulos do código nacional de trânsito (Leis 9792  de 14 Abril de 1999 e 9602 de 21 Janeiro de 1998). Difícil não ver uma pessoa falando ao celular e dirigindo.
Inclusive, provavelmente a grande maioria não saberia o significado da todos os 51 símbolos das placas de regulamentação... Cometeram algum delito em terem sido certificados sem total proficiência para serem habilitados ao volante?

Podemos enumerar uma infinidade de situações que são de nosso cotidiano, nas quais estamos sujeitos, seja consciente ou inconscientemente a uma eventual “transgressão”:
 
Jogar lixo na rua (seja entulho, seja um mero papel de bala);
Comprar CD e outros produtos piratas;
Não fornecer nota fiscal;
Não pedir nota fiscal;
Falhar com regras de condomínio;
Políticas de um ambiente de trabalho;
Furar fila;
Dar caixinha ao policial rodoviário para se livrar de uma multa;
Mexer na quilometragem de um veículo antes de vendê-lo;
Etc.
Infeliz slogan usado na propaganda de uma marca de cigarro nos anos 70, na qual o ex-jogador tricampeão do mundo de futebol em 1970, Gersom ficou conhecido, talvez ainda mais do que pelas suas jogadas nos gramados, pela frese:
“- O negócio é levar vantagem em tudo, cerrrrto? “

Os conjuntos de regras podem ser classificados em grupos cuja doutrina endereça a um julgamento em face a um padrão:
- Sociedade - protocolo ou etiqueta;
- Família - caráter;
- Religião - pecados;
- Códigos civil, trabalhista, penal, etc. - crimes.

Já a reação das pessoas pode ter uma iniciativa passiva ou ativa.
A caracterização do “erro” pode ser com dolo (com intenção) ou culposa (sem intenção).

Voltando para as premissas iniciais dos “delitos e transgressões”:
Quem define o que é pecado?
A igreja católica, por intermédio do Vaticano, Papas e outras autoridades, emitiram ao passar dos séculos, diversos tratados e revisões do que seria pecado.
Mais recentemente, em 2006, foram publicados os “novos pecados”, os quais teriam sido revisados para estarem atualizados com o cenário histórico, social e, sobretudo, tecnológico contemporâneo.
 Lá consta que os excessos à internet, TV e jornais compreendem uma nova forma de pecado.
Com absoluto respeito, seguramente, Moises não seria capaz de listar estes delitos futuristas nas placas de pedra onde foram talhados os primeiros mandamentos.
 
Mais pecado... (?)
 Outro dia no trânsito, um carro a minha frente com um adesivo evangélico, expressaria o credo religioso de seu proprietário, em uma frase de efeito.
Pode não ser uma regra, mas normalmente as pessoas são o que demonstram ser, porem a atitude do motorista em uma situação de estresse do trânsito, ao xingar, esbravejar e esmurrar o volante em pura expressão de ira contra o motorista da faixa ao lado, era no mínimo contraditório com os dizeres escritos no adesivo.

No fundo, no fundo, entre pecado, bom senso, regras e leis, o que vale é ouvir a consciência.
Não cabe a ninguém julgar, punir e condenar por avaliação de conduta exterior, pois o que separa o ato de cruzar o sinal vermelho do ato de cometer um crime hediondo é exatamente a convicção de estar fazendo aquilo que se acredita ser o certo, cientes da conseqüências dos atos. Pagamos e recebemos por aquilo que acreditamos.

A "penitência" aplicada simplesmente vem do seu credo interior e do seu caráter.

No fundo, no fundo, se houvesse julgamento irrepreensível e cela em abundante quantidade, todos estariam encarcerados, se todos os erros fossem julgados.
E que atire a primeira pedra aquele que nunca errou, já que humano não mais o é.

Um abraço